
A aeromoça dá o discurso de sempre. O piloto pilota. Tudo acontece normalmente, a viagem não é turbulenta, o céu está limpo e os pássaros voam ao lado de fora enquanto o avião atravessa as nuvens.
Até que então, começa a surgir um ruído extremamente alto no motor, a viagem torna-se turbulenta, o avião começa a perder controle. A aeromoça tenta acalmar os passageiros alegando estar tudo bem. Quem acredita? Alguns começam a rezar. Outros ainda dormem. E outra parte, grita desesperada. Tudo dá errado, o piloto já se desespera e salta de pára-quedas, deixando o co-piloto inexperiente pilotar. A aeromoça chora. Os que dormiam já acordam gritando. Os que rezavam já desistiram de tentar. Todo mundo desesperado, gritando e chorando. Menos ele. Aquele rapaz, não muito novo, nem muito velho, que passara a viagem toda em silêncio e com expressão séria. Ele está rindo, rindo loucamente, soltando gargalhadas que apavoraram os outros passageiros, enquanto preparado, segura um pequeno controle com apenas um botão, relembrando horas antes, no momento em que sabotava o motor do avião.